terça-feira, 15 de junho de 2021

O ENSINO DE GEOGRAFIA: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA PARA AUXILIAR OS PROFESSORES AO ENSINAR ESCALA CARTOGRÁFICA

 

O ENSINO DE GEOGRAFIA:

UMA PROPOSTA METODOLÓGICA PARA AUXILIAR OS PROFESSORES AO ENSINAR ESCALA CARTOGRÁFICA

 

Gilberto Stein Junior - FAEL [1]

Orientador: Profº MsC. Gilmar Dias - FAEL [2]

 

 RESUMO

  

          O presente artigo pretende abordar a importância da Escala Cartográfica, para a superação das dificuldades de aprendizagem nas turmas de primeiros anos do Ensino Médio, sendo este um desafio constante a ser enfrentado pela educação formal. Pesquisamos como o docente especialista na área de geografia pode contribuir com o professor regular da sala, através de um Projeto de Maquetes, para a solução de problemas vinculados a aplicação da escala cartográfica, apresentadas em uma turma de quarenta alunos. Assim, como objetivo, visa sanar as dificuldades apresentadas pelos alunos e adequar os conhecimentos, demonstrando o domínio das competências e habilidades desejáveis para o ano escolar em que estão matriculados. Ressalta a necessidade de novas práticas pedagógicas na escola e aos educadores, e que esses, comprometidos com a formação cultural e o desenvolvimento da noção de espaço de indivíduos, sejam capazes de desenvolver, de forma contínua, mecanismos e ações eficazes para a compreensão e percepção dos alunos, dando-lhes mais autonomia no pensar, ensinando-lhes a expressar suas próprias ideias e opiniões, construindo sua visão sobre o espaço local e regional em que está inserido. A revisão bibliográfica proporcionou referências teóricas para as discussões acerca do tema, contribuindo para a análise das informações, coletados através da produção de maquetes da própria residência dos educandos.

 

Palavras-chave: cartografia, escala, maquetes, espaço.

 

 1 INTRODUÇÃO

 

A educação é um processo amplo e complexo, que abrange diversos sujeitos em diferentes modalidades de aprendizagem, distinguido pelo jeito de aprender.

Essa pesquisa busca sanar as dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos, principalmente quando abrange o domínio da leitura e escrita cartográfica, e estão matriculados em uma turma do primeiro ano do Ensino Médio.

A pesquisa tipo estudo de caso possibilitou acompanhar as atividades docentes e os avanços dos alunos, no intuito de confrontar teoria e prática no âmbito escolar. Tal investigação foi estruturada na sala de aula junto ao professor da disciplina de geografia no primeiro ano do ensino médio, com quarenta alunos, regularmente matriculados no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre, durante os meses de fevereiro até maio do corrente ano.

Neste sentido, a investigação proposta neste estudo consiste em identificar e detectar as ações das práticas educativas, dentro de um Projeto de Maquetes, cuja finalidade é superar as dificuldades apresentadas pelos alunos e adequar seus conhecimentos ao ano escolar em que estão matriculados, terão resultado satisfatório, onde todos os alunos atingirão as metas propostas, isto é, construir uma réplica miniaturizada de suas residências.

Essa pesquisa se ateve sobre como o geógrafo especialista trabalha com a escala cartográfica e pode contribuir com o professor regular da turma na solução de problemas no processo de redução de objetos em tamanho real para uma maquete do ambiente residencial, refletindo a percepção dos detalhes do objeto de estudo, isto é, a residência do aluno.

O objetivo dessa pesquisa é desenvolver novas práticas pedagógicas para a superação das dificuldades de aprendizagem, através de ações responsáveis e coerentes que contribuam para a construção do sucesso escolar de um grupo de quarenta alunos com dificuldades de aprendizagem e propor soluções para tal metodologia.

Essa pesquisa se mostrou relevante pelo fato de considerar fundamental ao professor a diversidade cultural dos alunos como ponto de partida para o trabalho educativo, no sentido de valorização do conhecimento por ele trazido e da capacidade de aprendizagem de cada um.

 

2 A SALA DE AULA E O ENSINO DE ESCALA CARTOGRÁFICA

Partindo do princípio que a escala refere-se à proporção que determina a relação entre uma representação e o tamanho real do objeto que será representado, considera-se que os trabalhos de maquetes devem abranger desde um croqui (desenho rascunhado) até um desenho que o represente, cujo objetivo é ressaltar a importância do que será reproduzido em proporções menores, obtendo a representação do objeto real reduzido. Segundo Nacke e Martins (2007) afirmam que

a maquete é um recurso pedagógico que permite ao aluno transportar informações contidas no mapa bidimensional potencializando, através de sua característica mais importante, a visualização das diversas formas auxiliando na compreensão de conceitos geográficos, no desenvolvimento das habilidades cognitivas de representação, indispensáveis na compreensão do espaço Geográfico.

Considere uma residência cujo cidadão não desenvolveu certo apreço por ela, mesmo estando no seu cotidiano envolvido com as ansiedades do trabalho, da escola e outros afazeres. Quando se imagina a residência, valoriza-se aquilo que está na memória, processando uma nova realidade miniaturizada. Ao ter tal valorização, o professor cria possibilidade de trabalhar a percepção de detalhes que não são valorizados, tais como o telhado, a porta de entrada da casa, a janela da cozinha e a varanda entre outras características.

Um desenho inicial pode levar a pessoa a meditar em situações despercebidas no dia a dia e por esta razão, deve-se considerar que

desenhar é o meio tradicional e ainda é relevante num mundo cada vez mais digital. Traçar uma linha com uma caneta ou lápis incorpora o sentido cinestésico de direção e comprimento, e é um ato tátil que realimenta a mente e reforça a estrutura da imagem gráfica resultante. (Ching, 2017, p. 17)

O termo croqui é ressaltado para que o trabalho seja iniciado através de um rascunho, considerando “uma representação esquemática do terreno, um esboço que deve ser encarado como um levantamento expedito, com pouca precisão.” (FITZ, 2010, p. 35).

A produção de maquetes gera no educador e também no educando necessidades e anseios, portanto, a Escola deve oferecer um sistema que contribua para a formação do indivíduo respeitando suas diferenças, sua percepção espacial e o ritmo de aprendizagem, uma vez que todos têm direito à aprendizagem e que devem ser respeitados como seres em processo de formação e que aprendem progressivamente. “Figuras em escala são modeladas durante os estágios investigativos, para dar uma ideia da escala da edificação. As árvores são incluídas no estágio de apresentação, o mobiliário urbano costuma ser reservado para simulações mais elaboradas” (MILLS, 2007, p. 31).

Quanto ao material a ser utilizado na produção de maquetes destacam-se os estiletes, cola, escalímetros, papelão, palitos de madeira, massa corrida, tinta, papel, régua, transferidor e compasso. “Os escalímetros devem ter graduações calibradas com precisão e marcas gravadas resistentes a água. Não devem ser usados como régua para o traçado de linhas” (CHING, 2017, p. 13).

As inúmeras trajetórias da vida escolar passam, obrigatoriamente, por educadores que dificultaram o processo, e, buscam qualificar os conteúdos como “esses são fáceis”, “esses são mais difíceis”. Nesse sentido “há atualmente, uma ampla série de mudanças sociais que modificaram o contexto em que se desenvolve a educação.” (ESTEVE, 2004, p.117).

O aprendizado pode ser medido de várias formas, como por exemplo, os diferentes croquis elaborados pelos educadores e educandos que transformam uma página em branco em diferentes sinais cognitivos. Tais representações são sinais de sua evolução cognitiva. Segundo os PCNs: 

A pesquisa sobre a psicogênese da língua escrita chegou ao Brasil em meados dos anos 80 e causou grande impacto, revolucionando o ensino da língua nas séries iniciais e, ao mesmo tempo, provocando uma revisão do tratamento dado ao ensino e à aprendizagem em outras áreas do conhecimento. (BRASIL, 1997, p. 32).

Hoje, além da preocupação em como ensinar a ler, interpretar e escrever cartogramas, há a importância de estabelecer a correspondência entre o real e a escrita ou decodificar as grafias em legendas, é preciso atentar-se em acompanhar o processo ou obter informações sobre o que o educador já domina em relação à escrita e suas hipóteses antes de iniciar a aprendizagem escolar. “As propostas pedagógicas de alfabetização vêm sendo elaboradas, dentre as quais, uma das mais importantes é a de que as crianças, em seu processo de alfabetização, constroem hipóteses sobre o que a escrita representa.” (WEISZ, 2000, p. 112).

Atualmente a necessidade de estabelecer relação entre o real e o imaginário, decodificar legendas, familiarizar o aluno com o seu cotexto diário, formando um cidadão crítico. Corroborando com isso, citamos o Projeto Pedagógico do Curso - PPC da escola pesquisada que determina que:

Os princípios pedagógicos são centrados no sujeito histórico, social e político. Nesse sentido, os projetos pedagógicos dos cursos devem-se elaborar com vistas a formar cidadãos críticos e reflexivos, pesquisadores abertos as inovações tecnológicas e que cujas ações sejam pautadas pelo diálogo. O cidadão deve-se formar para a vida e para o trabalho, sendo esse trabalho a base educativa para construir suas aprendizagens significativas, aliando o saber e o fazer, de forma crítica e contextualizada. (IFAC, 2018, p. 20).

Sabe-se que o professor não é o único ator responsável pelo processo de inclusão dos alunos que não conseguem acompanhar o ritmo de aprendizagem dos demais alunos, portanto, precisa de ajuda de um profissional com formação adequada para auxiliar o processo de inclusão. Segundo o documento subsidiário à política de inclusão: “Um pressuposto frequente nas políticas relativas à inclusão supõe um processo sustentado unicamente pelo professor, no qual o trabalho do mesmo é concebido como o responsável pelo seu sucesso ou fracasso.” (BRASIL, 2005, p.9).

Ainda segundo Elias (2000) essa construção não se dá por si mesma e no vazio, mas a partir de situações nas quais ele possa agir sobre o que é objeto de seu conhecimento, pensar sobre ele, recebendo auxílio, sendo desafiado a refletir e interagindo com outras pessoas.

Segundo o autor Carvalho (2015, p. 10) “O professor precisa, portanto, desenvolver formas mais criativas de ensino e de utilização dos novos e também dos antigos recursos didáticos”. Considera-se assim que  muitos educadores não trazem uma prática concretizada em forma de modelo prático no sistema educacional, sendo que, no momento que assumem uma sala de aula podem se sentir perdidos ou até mesmo sem uma direção pré-definida, pois alguns alunos avançam e outros não aprendem no mesmo ritmo, causando-lhes angústia e desespero, gerando com isso um grande contingente de alunos com déficit de aprendizagem, surgindo a necessidade de metodologias alternativas, como a produção de maquetes, atividade que complementaria a compreensão do estudo.


3 METODOLOGIAS ADOTADA NA PESQUISA

 O presente artigo adotou-se como metodologia o estudo de caso, juntamente com a revisão bibliográfica e para coletas de dados utilizaram-se como instrumentos duas avaliações diagnosticas, sendo as mesmas realizadas antes da proposta e outra depois da aplicação da proposta, bem como a observação in loco durante as etapas.

A pesquisa de campo foi realizada em um dos campi do Instituto Federal de Educação, Ciência, Tecnologia do Acre, que apresenta profissionais de diferentes áreas, além de atender alunos do ensino médio integrado ao técnico e acadêmicos do tecnólogo em gestão do agronegócio. 

O estudo de caso é caracterizado por ser uma pesquisa que analisa de forma mais profunda o objeto analisado. O estudo de caso é:

entendido como uma metodologia ou como a escolha de um objeto de estudo definido pelo interesse em casos individuais. Visa à investigação de um caso específico, bem delimitado, contextualizado em tempo e lugar para que se possa realizar uma busca circunstanciada de informações. Ventura (2007, p.30).

          Dessa forma o estudo de caso visa fazer uma investigação detalhada e contextualizada. Para a proposta analisada o estudo de caso envolvia cinco professores de diferentes áreas do conhecimento, entre eles professores de geografia e engenheiros agrônomos.

Inicialmente realizou-se uma avaliação diagnóstica por meio de uma conversa com duração de 30 minutos, antes de apresentar a proposta. A finalidade da conversa foi conhecer aptidões, habilidades e trabalhos dos professores, a fim de identificar as possíveis dificuldades e encontrar um método para minimizar as dificuldades. 

Por meio da entrevista, os professores responderam algumas perguntas, de modo que puderam se expressar livremente, uma vez que foi preservada a identidade, assim deram sua opinião e os resultados do seu trabalho.

As indagações realizadas se encontram a seguir, sendo elas:

·         Qual o nível de dificuldade que os professores apresentam ao ensinar a cartografia?

·         O livro didático apresenta o conteúdo e uma explicação de modo satisfatório e eficiente?

·        O professor encontrou em algum material didático, sugestões para o desenvolvimento do tema, que facilite o processo ensino-aprendizagem, ocorrido na sala de aula?

·        Já confeccionou maquetes ao ensinar cartografia ou escala cartográfica?

·       Acredita que ao contextualizar algum conteúdo cartográfico com o cotidiano do aluno, o mesmo poderá associá-lo de maneira a modificar a sua compreensão de mundo, partindo de uma percepção local para uma visão global?

No final da entrevista foi dada a proposta do projeto: Produção de Maquetes, que consistia em confeccionar maquetes da residência do discente com o máximo de detalhes possível, em uma escala 1:50, destacando que a cada 1 m do real será correspondente a 1cm do molde (maquete), assim reduziriam a situação real em uma proporção de até 50 vezes. Comentou com os professores que eles seriam acompanhados ao longo do processo e auxiliados. Apresentou ainda as etapas do projeto para os professores de modo a facilitar sua aplicação, sendo elas:

1º Apresentar ao aluno o trabalho: Produção de Maquetes da sua residência;

2º Elaborar um croqui da residência;

3º Medir o terreno, a residência e os cômodos e anotá-los;

4º Passar as medidas reais (em metros) para o molde (em centímetros), sabendo que a escala correspondente ao estudo é 1:50, isto é, um metro da realidade será equivalente a 1cm do molde (maquete);

5º Aplicar as medidas em cm no molde e assim confeccionar a maquete. 

Então em seguida foi realizada uma observação in loco, a fim de atentar-se ao desempenho dos professores e dos alunos, observando as atividades, o desenvolvimento e os avanços de sua aprendizagem. O processo de observação ocorreu por dois meses, de modo semanal, durante as aulas que foram determinadas pelos professores analisados.  

            Após a aplicação da proposta uma nova observação foi realizada, ou seja, outra avaliação diagnóstica, semelhante à primeira, com uma conversa entre os docentes, apresentando duração de 30 minutos. As indagações realizadas foram sobre a aplicação e a opinião dos docentes, sendo elas:

·     Durante a realização da proposta, os professores apresentaram algum nível de dificuldade? Se sim, qual ou quais?

·   Percebeu que a proposta interferiu no processo ensino-aprendizagem dos educandos? Se sim, de qual maneira?

 

 4 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS

         Todo o processo durou quatro meses, devido às etapas envolvendo: a primeira entrevista, a aplicação e a sua observação, por fim a segunda entrevista para avaliar a proposta do ponto de vista dos professores analisados.

            Durante a primeira entrevista percebeu-se que os professores participaram satisfatoriamente, obtendo as respostas conforme descrito a seguir:

·         Há dificuldades ao ensinar o conteúdo de cartografia? Se sim, qual(is)?

Os materiais didáticos, como o livro, apresentam pouca informação ou nenhuma base, além de não ter contextualização com o cotidiano.

·         O livro didático apresenta o conteúdo, bem como uma explicação satisfatória e eficiente?

Apresentam poucas informações, estando entre uma ou duas páginas, ou até mesmo em poucos parágrafos, sendo que há livros que não retratam o conceito de escala.

·         Os professores encontraram em algum material didático, sugestões para o desenvolvimento do tema, que facilite o processo ensino- aprendizagem, ocorrido na sala de aula?

Não, alguns apresentam explicações vagas e superficiais, outros não apresentam nada.

·         Já confeccionaram maquetes de residências e áreas urbanas ao ensinar cartografia ou escala cartográfica?

Não.

·         Acreditam que ao contextualizar algum conteúdo cartográfico com o cotidiano do aluno, o mesmo poderá associá-lo a ponto de modificar a sua compreensão de mundo, partindo de uma visão ou pressuposto local para uma visão global?

Sim, porém não é tão claro, pois nunca confeccionaram maquetes detalhadas, ou aprenderam escalas na prática.

            Então ao comentar a proposta do projeto: Produção de Maquetes com os professores, notou-se que os mesmos aceitaram de bom grado, concordaram com a ideia e aplicaram conforme descrito. Durante as etapas notou-se que os alunos se entusiasmaram com o projeto, aceitaram cumprir as etapas, também apresentaram as medidas tiradas, passaram para centímetros, apresentaram algumas dificuldades em relação a matemática e a física, mas com as explicações entenderam melhor. Aplicaram as medidas e por fim confeccionaram as maquetes.

Ao fazer a observação in loco, notou-se o desempenho dos alunos e dos professores, mostrando maior integração entre eles, notando uma participação colaborativa, trocas de ideias de ambas as partes. Constatou-se com a metodologia aplicada, que ocorreu uma intensa troca de conceitos, de informações e de materiais, mostrando assim um espírito colaborativo. Ao apresentarem o resultado das maquetes notaram que os alunos entenderam o projeto, seu propósito e o realizaram de forma satisfatória, conforme mostra a imagem 1.

Imagem 1- Maquetes das residências. Fonte: Autor.


 

                                                                   Fonte: Autor.

             Ao realizar a segunda entrevista, semelhante à primeira, constatou-se o resultado da proposta diante a opinião e análise dos docentes, bem como sua contribuição par o ensino. As respostas obtidas as indagações realizadas foram:

  • Durante a realização da proposta, os professores perceberam algum nível de dificuldade? Se sim, qual(is)?

Sim. Os alunos não visualizavam a redução de algo real para algo palpável, algo em pequenas proporções. Um exemplo foi o fato de não conseguirem visualizar a própria casa no tamanho de um brinquedo, algo em torno de 40 cm. Os alunos apresentaram ainda outra dificuldade, que foi se localizarem a partir de um mapa, ou seja, não imaginavam o continente, o país e a própria região onde residem em um espaço de aproximadamente 1m². Outro impasse também de destaque foi, ao ensinar curvas de nível notou-se que o educando não se localizou no espaço, dificultando assim a confecção da maquete. Ao analisar as cartas topográficas constatou-se que os discentes não conseguiram observar as alternâncias do relevo, ou seja, as diferentes altitudes. Ao projetar a construção de uma estufa, percebeu-se que os alunos apresentaram dificuldades em visualizar a transição do projeto para a realidade, do ‘projeto estufa’ para a estufa construída. Outra objeção tida foi a falta de referências, de materiais sobre maquetes, que fundamentariam a metodologia ou ajudariam ainda mais os discentes ao compreenderem a parte teórica.

  • Percebeu que a proposta interferiu no processo ensino-aprendizagem dos educandos? Se sim, de qual maneira?

A proposta interferiu de modo satisfatório no processo. Após a confecção das maquetes os alunos passaram a ter uma percepção de localização espacial diferenciando o espaço do terreno, do imóvel, do bairro, do município, na qual a contextualização do espaço local era diferente do espaço regional. Os discentes ao verem sua residência em diferente espaço, num contexto local, passaram a ser mais perceptivos a detalhes, como cerca, muro, ‘trapiches’ (nome dado na região aos caminhos de madeira da rua até a casa), as palafitas (chamadas de tocos), a calçada, a frente da casa, entre outros. Ao visualizarem suas residências de maneira diferente, por meio das maquetes, em diferente espaço, desenvolveram, “o elo afetivo entre a pessoa e o lugar ou ambiente físico". (YI-FU TUAN, 1980, p.174).  A topofilia, que é também descrito como a preferência ou conexão sentimental que alguém apresenta em relação a determinados lugares com o espaço que mais se identifica.

 

Alguns discentes perceberam a residência dentro do espaço municipal, como ela é e o que representa, notando que, se não existisse ou fosse diferente, o espaço seria alterado, modificado. Os que residem na zona rural também passaram a ter uma visão de espaço mais ampla, passaram a diferenciar o espaço em diferentes proporções: local, municipal, regional e nível nacional. Os discentes valorizaram a área, envolvendo questões ambientais, identificando espaços arborizados, ou com vegetação de pequeno porte, com a presença de um grande curso de água margeando a cidade, e ainda alguns destacaram detalhes como a instalação da residência sobre palafitas. Além disso é interessante destacar que a partir da confecção das maquetes os alunos tiveram uma experiência satisfatória, prazerosa, além de aprenderem sem ‘sofrimento’, ou seja, os mesmos não foram obrigados a decorar o conteúdo e realizar uma avaliação. Foi proposto uma atividade possível, que poderia ser realizado, apontou-se os caminhos para a busca do conhecimento, auxiliou no desenvolvimento da atividade, ela não envolvia só decorar ou entender o conteúdo, mas sim desenvolver na prática, algo relacionado ao cotidiano. A atividade também promoveu a relação do indivíduo com a sociedade, bem como articulou o ensino como a aprendizagem.

Ressaltou que o objetivo do educador é realizar atividades com qualidade, integrá-las ao processo educacional, com experiências que se aproximam da vida real, apresentando maior significado para os alunos. Outra característica da atividade desenvolvida foi aprender por associação, promovendo a aprendizagem não só com o objeto, mas também com tudo que está associado a ele, em torno dele.

 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

            A partir da aplicação do presente projeto constatou-se a importância de metodologias para os docentes, uma vez que são encarados como transmissores do conhecimento, porém ao se dirigirem aos professores o termo que melhor se aplica é facilitador do conhecimento. Dessa forma para facilita algo é necessário que estejam sempre estudando, dispostos a testarem novas metodologias e os professores colaboradores aceitaram prontamente.

            Ao analisar uma metodologia para o ensino superior foi levado em consideração o conhecimento dos professores e suas sugestões durante a aplicação da proposta. Notou-se que a proposta foi acolhida pelos alunos de forma satisfatória, os mesmos se sentiram animados ao desenvolverem um trabalho diferente do costumeiro, se esforçaram para alcançar um bom resultado.

Percebeu-se que tanto os professores, como os alunos destacaram o desenvolvimento de diferentes bairros na cidade, bem como a diferente arquitetura das casas, a fixação dos humanos e seu desenvolvimento, seja ele econômico e cultural. Os mesmos passaram apresentar um conceito diferente do ambiente onde sua residência estava localizada, entre eles alguns mudaram até seu cômodo favorito, por exemplo: da cozinha passaram a preferir o quarto, da sala passaram a preferir a cozinha, devido a representação que haviam realizado.

Por fim é importante ressaltar que a prática com uma breve teoria torna o processo ensino-aprendizagem significativo, pois potencializou o entendimento dos envolvidos em relação ao ambiente, orientação, percepção espacial, bem como a questão quantitativa e qualitativa de casas no meio urbano e rural.

 

 

REFERÊNCIAS

CHING, Francis D. K. Representação gráfica em arquitetura. Tradução: Alexandre Salvaterra. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2017.

ELIAS, Marisa Del Cioppo. De Emílio à Emília: a trajetória da alfabetização. São Paulo: Scipione, 2000.

ESTEVE. José M. A terceira revolução educacional: a educação na sociedade do conhecimento. São Paulo: Moderna, 2004.

FITZ, Paulo Roberto. Cartografia básica. Edição Digital. São Paulo: Oficina de Textos, 2014.

MILLS, C. B. Projetando com maquetes. Tradução de Alexandre Salvaterra. 2. ed. Porto Alegre: Bookman Companhia, 2007.

NACKE, Sonia Mary Manfroi; MARTINS, Gilberto. A maquete cartográfica como recurso pedagógico no ensino médio. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/433-4.pdf> Acesso em 05 fev.2020.

TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente/ Yi-Fu Tuan; tradução: Lívia de Oliveira. – Londrina: Eduel, 1980.

VENTURA, Magda Maria. O estudo de caso como modalidade de pesquisa.  Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, v. 20, n. 5, p. 383-386, set./out. 2007. Disponível em: <http://sociedades.cardiol.br/socerj/revista/2007_05/a2007_v20_n05_art10.pdf>. Acesso em: 10 fev. 2020.

WEISZ. Telma. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. São Paulo: Ática, 2000.

 

 



[1] Aluno do curso de pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior. Professo de Geografia do IFAC. Graduado pela UFMG. E-mail: gsteinj@gmail.com.br.

[2] Adm. de Empresas, Matemático, Tecnólogo em Processos Gerenciais, Pedagogo pela UFPR, Mestre em Educação pela UTP, Especialista em Educação a Distância, Especialista em Adm. Financeira e Informatização e professor da pós-Graduação da FAEL. E-mail: gilmar.dias@fael.edu.br.

 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

BR - 429 - RO - entre Ji-Paraná e Alvorada do Oeste
Castanheiras (castanha do Brasil, antiga castanha do Pará)
                                         Essas árvores tem mais de 50 anos.